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Como lidar com uma criança difícil 

Birras e acessos de raiva deixam qualquer mãe ou pai à beira de um ataque de nervos. Contar até 10, pensar no caso, pôr-se no lugar dele, evitar braços de ferro e ter muita calma são regras de ouro para ser bem sucedida.

Por Catarina Fonseca, in Activa Edição Especial Filhos, nº4

Reduza o stress. Às vezes, não são eles que se portam mal, somos nós que provocamos as 'crises' sem dar por isso. É verdade que ninguém tem uma vida sossegada, mas há sempre onde descarregar o stress... Tenha a sua própria vida, os seus amigos, as suas ocupações, porque uma mãe dependente das crianças é um peso tremendo nas costas de qualquer filho.

Não confunda disciplina com castigo. O objectivo não é forçá-las a obedecer, a não ser que queira treinar um soldadinho. O objectivo é ensinar-lhes a fazer as melhores escolhas para eles próprios, porque eles próprios sentem que isso faz sentido. Um castigo corre o risco de se transformar numa demonstração de poder, em vez de uma orientação. Aliás, a maioria das crianças piora com os castigos, em vez de melhorar. A única altura em que se pode usar um castigo é quando a criança deliberadamente desobedece a uma regra que sabe existir. Mas há castigos e castigos. Se a regra em casa é 'Não se bate' e ele não resiste a um sopapo no irmão, uns minutos separado dos outros podem bastar.

Evite a bofetada. Geralmente acalma mais os pais do que as crianças. Uma ou duas na altura certa não matam ninguém, mas geralmente tendem a multiplicar-se sem que a pessoa dê por isso, e nas crianças mais velhas são uma perda de tempo. Afinal, você também não vai atirar uma bofetada no seu colega de trabalho só porque não se entende com ele...

Dê-lhes atenção. Se eles continuam difíceis, talvez sejam um exemplo da famosa frase: "É só para chamar a atenção". É? Então porque não lha dá?

Redireccione. Muitas vezes é possível, em vez de reprimir a água, abrir outro rego para ela correr. Canalize as energias da sua criança, porque muitas das birras são de aborrecimento ou de energia acomulada.

Exija que cumpram algumas regras. Se deixar que ele ande por aí a insultar meio mundo com a desculpa de que 'é muito pequenino, depois passa-lhe" arrisca-se a acabar com uma criança com a qual ninguém, nem você, gostará de viver. Algumas regras de convivência são básicas. 'Não se bate', por exemplo.

Pense em ser firme em vez de zangada. Muitas vezes as duas emoções confundem-se, mas é como nos abdominais: só uma questão de treino. Em vez de pensar "Meu sacana , estás a fazer isso só para me chatear", pense "Tenho que te segurar porque senão ainda corres para a rua."

Leve-o para outro sítio. Ela grita e esperneia como um cabrito? Pegue nele com calma (senão ainda se magoa...)e leve-o para um sítio sossegado. Não é preciso largá-lo lá muito tempo, apenas o suficiente para ele se acalmar. Mas não deixe uma criança sozinha se ela tiver menos de 3 anos. E seja selectiva: se vai largá-lo no quarto por cada minúscula ofensa, o castigo deixa de ter valor.

Recompense bons comportamentos. Antes de castigar os maus. Lembre-se sempre: é preferível educar pela positiva. Elogie antes de reprimir. Ensine-lhes que o esforço é essencial, que ser bom custa mas também dá alegria. "Viste como o Diogo ficou contente quando lhe emprestaste o carrinho?" Mostre-lhes que tem confiança neles, em vez do discurso que vem primeiro à boca de todas as mães, mesmo as mais dedicadas: "És mesmo insuportável!

Fale com eles. Às vezes pensamos que sabemos tudo sobre eles e eles têm uma razão totalmente diferente para armar briga. Como toda a gente já reparou, não adianta nada tentar ter grandes conversas no meio de raios e trovões, mas quando ele acalmar, descubra o que e passa.

Tente não ser impulsiva. Não pode esperar que eles se portem como se tivessem 35 anos. A cabeça de uma pessoa não está totalmente formada até aos 18 anos (pois se pensava que aos 3 eles já reagiam como nós, o prazo é um bocadito maior...) e até aí vai ter de se pôr no lugar deles e adivinhar mias do que lhe dizem.

Explique. Uma regra não aparece do nada, só porque sim ou porque vem na Constituição. Explique que não pode largar-lhe a mão no centro comercial porque há muita gente e não quer perdê-lo.

Observe. Se se sente perdida, fique uns dias apenas a ver o que se passa. Às vezes também ajuda falar com outras pessoas que conheçam bem a criança, um professor, uma tia, um primo. Depois ponha em prática o seu plano. Há quem tenha tentado um acordo do tipo: "Se discutirem menos, terão privilégios como mais uma história na hora de deitar. Se discutirem terão 5 minutos separados um do outro." Resta saber se consegue pô-lo em prática.

Deixe-o aprender com as consequências. Claro que ninguém vai deixar que a criança seja atropelada pensando: "Depois quando estiveres no hospital é que vais aprender que não se atravessa a estrada a correr." Mas quando for possível deixe que ele aprenda com as consequências naturais. Limpar um copo de sumo que entornou, por exemplo.

Seja simpática. Com eles e com o mundo. também é uma questão de treino, e ninguém consegue ensinar a simpatia se estiver permanentemente 'de trombas'. Às vezes, eles não respondem simplesmente porque, para se defenderem, 'bloqueiam' em face de não-comunicações: ordens, críticas, sermões, opiniões, gritos...

Pratique. Ninguém nasce ensinado a ser pai ou mãe. O que interessa é ser melhor a cada dia que passa. Se errou, peça desculpa. Pedir desculpa ensina lições valiosas: ensina-lhes a assumir os próprios erros, ensina-lhes que os pais não são perfeitos, que eles também não têm de ser perfeitos, mas que serão amados mesmo assim, apesar de tudo

 

como se portam...
1 ano

Já tem mobilidade mas ainda não percebe bem o conceito de 'não'. O melhor é explicar a razão de tudo ao mesmo tempo que o afasta do fruto proibido

 

2 anos

A sua profissão é explorar o mundo, por isso não o cubra de stressantes 'nãos'. Torne a sua casa o mais segura que puder, para lhe autorizar a exploração.

 

4 anos

Algumas mães queixam-se de 'adolescência precoce'. Pode rir-se mas é um pouco verdade. Esta é a idade em que se responde torto, e em que não, não se vai comer a sopa toda, claro. Estabeleça poucas regras mas exija que ele as cumpra.

 

6 anos

Tornam-se mais independentes mas também gostam de participar. É a idade em que há menos birras. Aproveite bem.

 

11 anos

A instabilidade é o prato do dia. Imponha alguns limites mas não entre em 'braços de ferro' inúteis. E não estranhe se recusarem os seus beijinhos. É assim mesmo.

 

14 anos

Ajude-os a atravessarem o deserto e a construírem a sua vida além de si.

 

 

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