e s p e c i a l   p a i s           

Sobre o Natal...

A  época natalícia e toda a sua magia são de grande importância para as crianças. São também o símbolo da criança feliz. Aos pais recomenda-se alimentar esta fantasia. Essencial ao crescimento.

in revista Máxima - Dezembro 2003

Sonhar com o Natal

O Natal faz-nos pensar nos que já não estão entre nós. "As falhas, as faltas, têm mais peso nesta altura", explica a psicóloga Conceição Tavares de Almeida. Quando falta um membro da família, ou a própria família, esta pode ser uma data muito difícil. É imperativo a criança não estar sozinha no mundo. Muito menos nesta data. Para os meninos que perderam pessoas queridas ou que estão afastados das suas famílias, "é importante que quem se ocupa deles lhes permita serem crianças pelo menos nesta altura.. Que tenham outras possibilidades de para imaginar e sonhar". Que façam uso do seu direito à fantasia e que também tenham desejos e, claro, presentes - mesmo que não sejam os maiores ou mais caros do mundo. "Aconchega-nos pensar (...) que, alguém, seja quem for, perdido no Cosmos, nos protege, nos conhece e adivinha como mais ninguém", comenta Eduardo Sá no seu livro Más Maneiras de Sermos Bons Pais (Fim de Século Edições). Assim, é o amor das generosas figuras centrais do Natal que poderá confortar estas crianças. "Todos podem ser esta criança desejada e amada", comenta a psicóloga Conceição Tavares de Almeida. E acrescenta. "O Pai Natal, por sua vez, é a figura paterna ternurenta, que perdoa sempre. Todos os meninos sonham ser adivinhados pelo Pai Natal."

 

Pai Natal dos Correios

Por esta altura do ano a azáfama dos funcionários dos serviços postais é quase tão grande como a dos duendes ajudantes do Pai Natal. enquanto os brinquedos estão a fazer no Pólo Norte, os trabalhadores dos CTT andam ocupados a responder aos miúdos, portugueses ou estrangeiros, que deitem uma carta no marco dos correios dirigida ao Pai Natal.

A acção Pai Natal dos Correios começou em 1985 e, desde então, passou a fazer parte da tradição natalícia. Inicialmente, eram pouco mais de duas mil as crianças que tentavam chegar ao pai Natal através dos CTT. Mas, quando começaram a perceber que este era o melhor caminho para chegar ao dono das renas voadoras, a boa nova espalhou-se, e todos os anos há mais meninos a enviar cartas. Só e 2002 foram mais de 199 mil. Actualmente, a maioria das mensagens, cerca de 82 por cento, vem de escolas, mas nem por isso as crianças deixam de receber uma resposta individual. A julgar pela correspondência recebida pelos CTT, é no Porto e na Beira litoral que mais crianças gostam de escrever ao Pai Natal. Venha de onde vier, até ao dia de Reis, toda a gente tem uma cartinha de volta, mesmo quando o remetente é uma morada no estrangeiro, o que vem acontecendo cada vez mais devido aos imigrantes. "Olá amiguinho. Estive a ler a tua carta o que me deixou muito feliz", resp0onde o Pai Natal. com a mensagem junta-se um pequeno presente dos CTT.

Magia ou consumismo

Além do stress típico da quadra natalícia, quem tem filhos sofre também da síndroma da dúvida natalícia. Deixá-los ou não ver o Pai Natal ao vivo, ajudá-los a escrever uma carta, permitir que escolham os presentes pelo catálogo, Eis as questões. E as respostas:

- Ver o Pai Natal ao vivo, sim ou não? Porque não? Embora a ideia seja despertar a imaginação, pôr alguém da família a fazer de Pai Natal á criar um jogo entre as crianças e os adultos. É isso que realmente interessa. Já a proliferação de senhores de barbas - nem sempre gordos - nos centros comerciais faz parte do jogo do consumismo que deve ser encarado com mais cautela pelos pais.

- Escrever ao Pai Natal, sim ou não? Sim. Ajuda a construir o imaginário do Pai Natal e permite um cruzamento fugaz mas misterioso entre a realidade e a fantasia. Escrever a carta com eles é participar nessa fantasia. Ou seja, é entrar no mundo dos seus filhos.

- Escolher presentes pelo catálogo, sim ou não? depende das idades, mas de preferência, não. Os catálogos nada têm de fantástico, são apenas produtos do consumo. quando as crianças são pequenas basta um pouco de atenção para perceber de que é que eles gostam. Além disso, a magia não está no jogo ou no brinquedo, mas sim no jogar e no brincar.

início da página