Projectos

 

Projecto Educativo

  1. INTRODUÇÃO

A elaboração do Projecto Educativo do Agrupamento de Escolas e Estabelecimentos e Ensino de Portel não foi um processo fácil nem pacífico.

Recusámos a ideia de construir um documento que fosse um mero conjunto de orientações pedagógicas, optando, pelo contrário, pela elaboração de um documento que traduzisse a nossa realidade, diferente de todas as outras, e nos conduzisse no sentido dos resultados que esperamos.

Na perspectiva de Macedo, B. (1995), as escolas como organizações têm características específicas que as diferenciam umas das outras e encerram em si potencialidades e capacidades de desenvolvimento.

Muitas vezes as dificuldades colocam-se ao nível de distinguir essa especificidade própria e até de a assumir.

Este foi, como dissemos, um processo moroso e nem sempre fácil.

Tentámos traduzir as aspirações de toda a comunidade educativa, professores, pais e pessoal auxiliar, identificando as nossas potencialidades, sem contudo deixar de olhar e equacionar as nossas limitações.

O diagnóstico feito, as prioridades de acção, a definição de estratégias de acção que potenciem os recursos existentes, foi todo um processo que envolveu os docentes em laços de cooperação, num processo de partilha de experiências e saberes, rompendo com o individualismo que, por razões de ordem histórica e cultural, tem caracterizado a classe docente.

Foi um processo que valeu por si próprio, independentemente do produto final conseguir ou não traduzir as riquezas dos processos.

Se, como diz Macedo (1995) a autonomia  é a escola conhecer-se e organizar-se com o objectivo de resolver os próprios problemas e identificar novas metas a atingir”, nós demos alguns pequenos passos nesse sentido. Podemos não conseguir resolver todos os problemas identificados, nem atingir os objectivos que traçámos, mas os momentos de reflexão que tivemos à volta das questões educativas, as divergências na discussão, as perspectivas diferentes que apresentámos, conduziu-nos a caminhos que se tornaram, por si só, irreversíveis. Olhámos as nossas práticas, olhámos a nossa Escola e aspirámos produzir mudanças.

 

As reuniões que realizámos obrigaram-nos a reflectir sobre os valores que presidem ao acto educativo, as influências interpessoais, as situações de compromisso e de negociação obrigam-nos a mudar.

Como diz António Nóvoa, “a construção do Projecto corresponde verdadeiramente a um processo lento, difícil, mas imprescindível”.

 

 

  1. DIAGNÓSTICO

 

2.1. CARACTERIZAÇÃO DO MEIO LOCAL

2.1.1.     Situação Geográfica

 

O concelho de Portel localiza-se a sul do distrito de Évora e confronta-se com os concelhos de Viana do Alentejo, Évora e Reguengos de Monsaraz, pertencentes ao mesmo distrito. Apresenta também confrontações com os concelhos de Cuba, Vidigueira e Moura, estes pertencentes ao distrito de Beja.

A sua superfície estende-se por 601,14 Km2 e integra oito freguesias: Alqueva, Amieira, Monte do Trigo, Oriola, Santana, S. Bartolomeu do Outeiro, Vera Cruz e Portel, a sede de concelho.

 

Quadro I – Situação Geográfica

2.1.2.     Caracterização histórica

Esta zona do Alentejo foi povoada em épocas remotas e apresenta vestígios das consecutivas ocupações pelos homens ao longo dos tempos.

Presume-se que a existência deste concelho data da altura da ocupação muçulmana e o nome de “Portel” ou Portela, significa “Porta Pequena”.

O terreno de Portel foi doado por D. Afonso III em 1257, ao seu mordomo-mor D. João Peres de Aboim e foi, posteriormente, edificado na vila o castelo e seu amuramento. O Foral Velho foi concedido em 1262.

Até ao reinado de D. João I, Portel foi uma povoação pequena e de pouca importância.

Com a assinatura de paz com D. Henrique III de Castela em 1393, inicia-se uma época de desenvolvimento. D. Nuno Álvares Pereira tornou-se senhor de Portel e funda a Igreja Matriz dedicada a Santa Maria.

Posteriormente passou para a casa de Bragança, sendo a vila sua ouvidoria. Em 1510, recebe novo foral outorgado por D. Manuel I.

A partir do séc. XVI Portel inicia uma fase de decadência agravada pela guerra dos anos 30.

A vila estendida aos pés da fortaleza medieval e típica conserva as ruas íngremes e tortuosas, janelas de gradeamentos férreos e alguns portais góticos e manuelinos.

 

2.1.3.     População

O Concelho de Portel tem, segundo os dados preliminares dos Censos de 2001, uma população residente de 7054 habitantes, distribuídos por oito freguesias. A densidade populacional é de 11.8 habitantes por km2, o que representa uma densidade muito baixa mesmo no contexto do Alentejo em geral (18habitantes por km2). A comparação dos dados dos Censos de 1991 com os dos Censos de 2001, demonstra um decréscimo populacional de 6.3%, o que corresponde a menos 471 habitantes, em termos absolutos.

 

 

Quadro II – POPULAÇÂO DO CONCELHO DE PORTEL POR FREGUESIAS

 

Freguesias

1991

2001

Evolução da população em termos absolutos

Alqueva

520

449

-71

Amieira

505

457

-48

Monte do Trigo

1318

1246

-72

Oriola

578

494

-84

Portel

2797

2745

-52

Santana

689

636

-53

S. B. Outeiro

688

570

-118

Vera Cruz

430

457

27

TOTAL

      7525

7054

-471

Fonte: INE, Censos 1991/2001

 

Os dados demonstram um decréscimo populacional em todas as freguesias do concelho, com excepção da Vera-Cruz, a qual registou um aumento de 27 habitantes. Por outro lado, S. Bartolomeu do Outeiro foi a freguesia que registou o maior decréscimo populacional (118 habitantes), logo seguido de Oriola (84), Monte do Trigo (72) e Alqueva (71).

 

 

Quadro III –  Área das Freguesias (2001) e Densidade populacional

 

 

Densidade Populacional (2001)

ÁREA (Km2)

Alqueva

6

75.4

Amieira

4.7

92.9

Monte do Trigo

11.8

105.4

Oriola

13.3

37.1

Portel

17

166.3

Santana

15.4

40.9

S. B. Outeiro

15.3

37.6

Vera Cruz

10.2

44.6

TOTAL

 

600.2

Fonte: INE, Censos de 2001

 

A distribuição da população por lugares, deu origem a um povoamento concentrado, típico da região Alentejo, assistindo-se à transferência da população residente em lugares pequenos, para lugares de maior dimensão.

O concelho apresenta um aumento considerável da população idosa e na redução do número de jovens, traduzido por um efeito conjugado das taxas de mortalidade e de natalidade associado aos movimentos migratórios para fora do concelho.

O quadro seguinte apresenta uma síntese da evolução da população nos últimos 30 anos.

 

Quadro IV- Índices Resumo (1960/2002)

 

Jovens

0-14

Activos

15-64

Idosos

65 e +

Índice Envelh.%

Índice

Depend.%

1960

25.6

66.1

8.3

32.6

51.3

1981

21.4

62.2

16.2

76.4

60,7

1991

17.6

62.2

20.2

114.7

69.2

2002*

17.3

58.4

24.3

140.0

71.2

*Estimativa

Fonte: INE – X; XII e XIII Recenseamentos Gerais da População, 1960, 1981, 1991.

 

 

QUADRO V População residente por grupos etários

 

POPULAÇÃO RESIDENTE %

ZONA GEOGRÁFICA

HM 

0 a 14 anos

HM

15 a 24 anos

HM

25 a 64 anos

HM

65 ou mais anos

Alqueva

12.9

10.9

43.7

32.5

Amieira

9.2

12.6

44.5

33.7

Monte do Trigo

15.6

13.4

51.7

19.4

Oriola

15.6

11.7

48.9

23.8

Portel

15.2

12.8

50.6

21.4

Santana

12.6

12.4

49.4

25.6

S. Bartolomeu do Outeiro

15.7

10.6

45.4

28.4

Vera- Cruz

13.4

14.7

45.4

26.5

TOTAL

15

13

49

24

 

 

No que respeita à estrutura etária do concelho, Portel apresenta uma predominância do grupo etário entre os 25 e os 64 anos, logo seguida pelo grupo com 65 ou mais anos, em todas as freguesias, sem excepção.

O envelhecimento demográfico do concelho é, de acordo com os dados, notório. É igualmente previsível a tendência para o aumento do número de idosos no concelho, uma vez que quase metade da população se situa no grupo etário dos 25 aos 64 anos, sendo o número de crianças e jovens 13 e 15% da população.

 

2.1.4. Nível de Instrução

No que se refere ao nível de instrução, a população do concelho caracteriza-se por baixos níveis de escolarização, e por altas taxas de analfabetismo. Segundo os dados provisórios dos Censos de 2001, a taxa de analfabetismo varia entre os 33.5% e os 18.5%, com as freguesias de Alqueva, Amieira e Santana a apresentar os valores mais altos.

Em termos absolutos, temos o grosso da população no nível habilitacional do 1º ciclo do Ensino Básico, com muito pouca representatividade do Ensino Médio e Superior.

 

           Quadro VI - Níveis de Ensino - População Residente

Zona Geográfica

Nenhum nível de Ensino

1º Ciclo E.B.

2º Ciclo E.B.

3º Ciclo

E.B.

Ensino Médio

Ensino Superior

frequenta o Ensino

Ensino

Sec.

Alqueva

128

176

69

43

0

11

59

22

Amieira

133

185

53

35

0

5

47

25

Monte do Trigo

299

449

219

136

1

28

204

113

Oriola

121

216

83

45

0

8

89

22

Portel

514

1105

344

309

14

177

524

362

Santana

152

294

85

45

0

12

108

40

S.B. Outeiro

147

267

78

42

2

8

98

3

Vera- Cruz

103

200

71

37

1

13

57

31

TOTAL

1597

2892

1002

692

18

262

1186

646

 

 

2.1.5. Emprego e Actividades Económicas

Em 1981, o concelho de Portel é predominantemente agrícola, sendo o sector primário o mais relevante na totalidade das freguesias, à excepção de Portel.

A superfície agrícola é constituída principalmente por terra arável (84%), por terras com culturas permanentes que diminuíram de superfície ocupada (10%) e terras com prados e pastagens permanentes (6%).

As principais culturas temporárias são os cereais, fava, grão e as culturas forrageiras. O olival e a vinha são as culturas permanentes mais significativas. A actividade pecuária regista um predomínio de ovinos e caprinos.

O sector secundário tem maior representatividade em Portel (18,5%) e Oriola (15%) onde existe uma fábrica de enchidos com cerca de 40 trabalhadores. Devido principalmente à construção e às obras públicas, este sector apresentava uma maior dinâmica de crescimento.

O sector terciário assume maior relevância em Portel (37%) devido sobretudo aos serviços de administração inerentes à sede de concelho, ao ensino e ao comércio em geral.

Em 1991 o rácio bruto de desemprego é da ordem dos 18,31%. Desde 1981 a 1991 não se verificaram alterações em relação à apreciação quantitativa das pessoas que têm uma actividade. Por exemplo, a maior percentagem dos desempregados continuam a ser do sexo feminino.

O trabalho por conta própria na totalidade dos sectores assume 14,5%, enquanto que os trabalhadores por conta de outrem 74%.

Verifica-se uma alteração desde 1991 no peso dos sectores económicos, transitando do sector primário para o sector terciário em 1999.

Sector Primário – agricultura, pecuária, exploração florestal, absorve 17% da população activa.

Sector Secundário - construção civil, indústria transformadora, absorve 26% dos activos.

Sector Terciário – Prestação de serviços à colectividade, comércio, absorve 57% dos activos.

Portel (concelho) tem a maior taxa de Desemprego do Alentejo – 24,4% e em comparação com os 18,8% que é a média de desemprego feminino.

 

2.1.6.  Equipamentos Colectivos – Cultura e Recreio.

Portel destaca-se em relação às restantes freguesias. Possui uma maior cobertura a nível de equipamentos colectivos, não só em termos de relação unidades existentes/população servida, mas também em termos de acessibilidade a esses equipamentos. A maior parte das freguesias tem um peso funcional muito baixo apresentando um menor número e menor variedade de funções centrais públicas. Na maior parte dos lugares predomina o comércio alimentar (mercearias/mini-mercados e cafés).

No que se refere à cultura e recreio em 1990, entrou em funcionamento o Centro Cultural de Portel.

A nível desportivo podemos também contar neste concelho com campos de futebol, polidesportivos, um complexo de piscinas de água fria e uma piscina coberta de água quente.

Também as diferentes freguesias possuem associações artísticas e recreativas.

 

2.1.7. Educação

No sector da Educação, descrevemos as infra-estruturas existentes:

¨      Pré – Escolar:

No concelho de Portel verifica-se a existência de 7 Jardins de Infância da Rede Pública e 2 I.P.S.S. onde funcionam em cada Jardins de Infância e Creche (Monte do Trigo e Portel).

¨      Ensino Básico

Existem 8 estabelecimentos de ensino do 1º Ciclo distribuídos por todas as freguesias do concelho.

Quanto ao 2º Ciclo, a Escola EB 2,3 D. João de Portel e os 3 postos de Ensino Básico Mediatizado que funcionam em Alqueva, Monte do Trigo e S. Bartolomeu do Outeiro, cobrem as necessidades do concelho.

O 3º Ciclo é assegurado também pela EB2,3.

O Ensino Secundário (profissional) pela EPRAL (Pólo de Portel).

Finalmente, a Educação Recorrente abrange os 3 ciclos de Ensino no concelho.

 

 

2.2.           Agrupamento de Escolas e Estabelecimentos de Ensino do Concelho de Portel- Caracterização

 

2.2.1.     Edifícios/Equipamento

Os Estabelecimentos de Ensino de 1º ciclo funcionam em edifícios tipo “ Plano dos Centenários “, com excepção de Portel, que está distribuído por 2 edifícios : um “ Plano dos Centenários “ e outro “ Outros tipos “.

Os Estabelecimentos de Educação Pré – Escolar funcionam em instalações próprias, Alqueva, Amieira, Vera- Cruz, Oriola e S. Bartolomeu do Outeiro, funcionando os restantes em instalações adaptadas para o efeito como sejam os Jardins de Infância de Santana e Portel.

Para além das salas de aula, a maior parte dos Estabelecimentos de Ensino do Agrupamento não têm outros espaços de apoio (bibliotecas, mediateca, convívio de alunos, docentes, pessoal auxiliar, órgãos de gestão...).

Na freguesia de Portel, funciona desde 1993 um Centro de Recursos para todo o Agrupamento. Está equipado com material pedagógico e didáctico, incluindo-se o equipamento pertencente aos Apoios Educativos, que se encontra disponível para atender às necessidades existentes a este nível em todas as freguesias.

No que se refere aos recursos materiais, pedagógicos e didácticos, houve no último ano lectivo um grande investimento em todos os estabelecimentos de ensino no concelho, a saber:

- quase todos os estabelecimentos de ensino possuem rádios e gravador, e alguns projectores de slides manuais.

 - Todas as localidades estão equipadas com um fax (com excepção de Portel), scanner, webcam e máquina fotográfica digital.

- Todas as salas de aula, de todos os graus de ensino estão equipadas com um computador, com excepção de duas salas em Portel. Os computadores existentes estão ligados à Internet, com excepção do computadores existentes nos Jardins de Infância de Alqueva, Amieira e Vera- Cruz.

- Todos os estabelecimentos de ensino estão equipados com televisão e vídeo.

 

 

Não existem campos de jogos, nem balneários, nem recreios cobertos (a não ser nas escolas de Alqueva, Portel ex-feminina e Monte do Trigo).

O estado de conservação dos edifícios é razoável, necessitando alguns de obras urgentes, no que diz respeito a carpintaria (soalhos, portas, janelas), canalização e electricidade.

 

2.2.2. Componente de Apoio à Família

As transformações sociais dos últimos anos conduziram a mudanças profundas no seio das famílias. Por um lado verifica- se uma crescente procura do mercado de trabalho por parte das mães, sendo patente  por outro lado a idade cada vez mais avançada dos avós, o que de alguma forma os impossibilita de substituir os pais junto das crianças.  Em termos práticos esta realidade  leva- nos  a vivenciar, num meio rural,  a mesma problemática dos grandes centros urbanos, em que predomina a família nuclear e os pais das crianças estão ambos no mercado de trabalho.

Conscientes desta problemática sentimos que os horários praticados nas Escolas e Jardins de Infância não dão resposta à maioria das famílias, o que nos leva a perspectivar o fornecimento de almoços e a ocupação de tempos livres de todas as crianças dos estabelecimentos  de ensino do agrupamento, como uma das nossas principais prioridades em termos do Projecto Educativo.

 

2.2.3. Transportes Escolares

 

Localidades

Alunos Transportados

( 2003/2004)

Pré- Escolar

1º Ciclo

EBM

Alqueva

-

1

-

Amieira

-

-

-

Monte do Trigo

-

1

2

Oriola

1

3

-

Portel

-

5

-

Santana

-

-

-

S. Bartolomeu do Outeiro

-

-

1

Vera Cruz

-

-

-

 

 

2.2.4. Pessoal Docente e Não Docente

No que respeita ao pessoal  que exerce funções docentes no agrupamento, a distribuição por freguesias e graus de ensino é a seguinte:

 

 

PESSOAL DOCENTE EM EXERCÍCIO

 

Pré- Escolar

1º Ciclo

EBM

Total

FREGUE-

SIAS

Ed. Titular

 Ed. Apoio

Prof. Titular

Prof. Apoio

Prof. Titular

Prof. Apoio

 

Alqueva

1

-

2 *

1

1

-

5

Amieira

1

-

1

-

-

-

2

Monte do Trigo

-

-

3

1

2

-

6

Oriola

1

-

1

-

-

-

2

Portel

1

1

6

2

-

-

10

Santana

1

-

2

1

-

-

4

S. Bart.

Outeiro

1

-

2

1

1

-

5

Vera- Cruz

1

-

1

a)

-

-

2

Total

7

1

18

6

4

-

36

* Os dois professores trabalham na mesma sala, em regime de corresponsabilização.

a)- O apoio nesta escola é dado, a tempo parcial, por uma das  professoras de apoio educativo colocada em Portel.

 

 

No que diz respeito à situação profissional dos docentes a situação no ano lectivo 2003/ 2004 é a seguinte:

 

PESSOAL DOCENTE- SITUAÇÃO PROFISSIONAL

 

Docentes

 

Professores Quadro Geral

10

Professores Quadro Distrital de Vinculação

25

Professores Contratados

-

Educadores do Quadro Único

3

Educadores do Quadro Distrital de Vinculação

7

Educadores Contratados

-

TOTAL

45

 

 

PESSOAL NÃO DOCENTE-  SITUAÇÃO PROFISSIONAL

FREGUESIAS

Quadro Dist. Vinc. do Ministério

Contrato Administrativo Provimento do Ministério

Assalariados à Hora

Ministério

Quadro Município

Contrato

Administrativo Provimento do Município

Alqueva

1

 

 

 

1

Amieira

 

1

 

 

 

Monte do Trigo

1

 

1

 

 

Oriola

 

 

 

 

1

Portel

3  b)

2+1 a)

 

3

 

Santana

1

 

1

 

 

S. Bart. Outeiro

2

 

1

 

 

Vera- Cruz

1

 

1

 

 

TOTAL

9

4

4

3

2

 

a)- 1 assistente de administração escolar;

b)- Chefe dos Serviços Administrativos, 1 Assistente Principal, 1 Assistente Ad. Escolar.

 

2.2.5. POPULAÇÂO DISCENTE- Ano Lectivo 2003/2004

 

Freguesias

Pré- Escolar

1º Ano

2º Ano

3º Ano

4º Ano

6º Ano

TOTAL

Alqueva

8

6

2

4

6

4

30

Amieira

9

-

-

4

2

-

15

Monte do Trigo

-

9

12

15

14

12

62

Oriola

10

10

3

3

2

-

28

Portel

25

29

23

24

33

-

134

Santana

14

6

5

6

5

-

36

Outeiro

10

4

4

5

8

6

37

Vera- Cruz

14

4

3

4

3

-

28

TOTAL

90

68

52

65

73

22

370

 

 

2.2.6. RETENÇÃO ESCOLAR

 

 

 

3.             A PROBLEMÁTICA

 “Não há ventos favoráveis para quem não sabe que direcção tomar”

Fazer com que todos os alunos acedam ao currículo nacional é, obviamente, a primeira e grande preocupação do nosso Agrupamento, bem como, estamos em crer, de todos os agrupamentos e Escolas do País.

Os constrangimentos que nos limitam a acção, os recursos de que dispomos, e os que necessitamos ainda de cativar, as metas e prioridades que estabelecemos, que em grande parte são condicionadas pela nossa realidade, são a marca que nos diferencia de outros contextos educativos, e que dão origem a um Projecto Educativo que queremos seja o reflexo da nossa identidade.

Para que o trabalho a desenvolver se enquadre efectivamente na realidade que é a nossa, e para que a resposta educativa seja a mais eficaz, procurámos fazer um diagnóstico sério e que fosse o reflexo das verdadeiras necessidades dos alunos, face aos grandes objectivos educativos nacionais, bem como o reflexo do sentir dos profissionais de educação, auxiliares de acção educativa e famílias.

Neste sentido procurámos fazer uma análise cuidada dos resultados das Provas Aferidas dos alunos, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, tentando identificar as suas maiores dificuldades. Auscultámos  os professores, auxiliares de acção educativa e pais, no que respeita à forma como vivem a profissão (professores e auxiliares), que dificuldades identificam na sua prática diária, e ao nível geral do funcionamento do agrupamento. No que diz respeito aos pais tentámos perceber como percepcionam a sua relação com a Escola,  o papel que gostariam de desempenhar no cenário educativo e os obstáculos que identificam à sua participação na vida da escola.

A problemática que apresentamos procura ser o retrato, tão fiel quanto possível, da realidade que estamos a vivenciar, certos de que, com uma acção concertada ao nível do papel de todos os intervenientes, será possível, a breve trecho, inverter alguns processos, e introduzir  melhorias no funcionamento do agrupamento em geral, e em cada estabelecimento de ensino em particular.

 

No que diz respeito aos desempenhos escolares dos alunos, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, as maiores dificuldades são as seguintes:

 

-   Dificuldades ao nível da compreensão da leitura, que se traduzem na  utilização de paráfrases e na compreensão inferencial da mensagem.

-   Dificuldades ao nível da produção de textos, no que respeita à utilização do vocabulário que é pobre e pouco diversificado, à pouca diversificação  de textos produzido pelos alunos e à utilização da pontuação.

-   Dificuldades ao nível da resolução de problemas não rotineiros, na explicitação de raciocínios e estratégias exploratórias de resolução de problemas, bem como nas questões geométricas e capacidades de visualização e estudo de formas e espaço.

Para além destes aspectos, de carácter académico, são apresentadas pelos professores outro tipo de dificuldades que se prendem com o cumprimento de regras e de normas de convivência social, para além de ausência de valores e de respeito pelos outros.

 

No que respeita à prática pedagógica as maiores dificuldades sentidas pelos professores prendem-se com :

-   Operacionalização da diferenciação pedagógica, com predomínio de metodologias mais centradas no professor, em detrimento de uma participação mais activa do aluno;

-   Alguma sobrevalorização dos manuais escolares, face a outros recursos pedagógicos;

-   Alguma dificuldade na ligação entre a Matemática e outras áreas do currículo;

-   Dificuldades em operacionalizar as competências matemáticas, no que respeita à resolução de problemas e à estatística;

-   Alguma desconhecimento dos currículos do pré- escolar por parte dos professores, e do 1º ciclo por parte das educadoras.

 

 

No que concerne às questões organizacionais do Agrupamento os problemas diagnosticados relacionam-se com :

-   A Formação que é desadequada face às necessidades reais dos docentes;

-   A articulação/ cooperação entre os docentes do agrupamento que é considerada insuficiente;

-   A gestão dos recursos materiais que não é ainda feita convenientemente;

-   As Escolas que ainda estão mal equipadas;

-   A falta de articulação entre o Agrupamento e a Escola EB 2/3;

-   A formação das Auxiliares de Acção Educativa que é insuficiente;

 

No que respeita aos pais e encarregados de educação os principais problemas apresentados relacionam-se com :

-   Pouca articulação entre a Escola/ Família;

 

 

4.      PRINCÍPIOS ORIENTADORES

Como princípios norteadores da acção educativa  elegemos os seguintes:

- Assume-se plenamente o princípio estabelecido na LBSE (nº3 do artº 45º) e no DL 115/A/98 (nº1 do artº 4º) segundo o qual, na gestão dos agrupamentos, devem prevalecer os critérios de natureza pedagógica e científica em detrimento dos critérios de natureza administrativa;

-  Adopta-se uma perspectiva de gestão orientada para a prestação de um serviço público, segundo a qual o aluno é o destinatário final do processo,  sobrepondo-se o seu interesse e das famílias a qualquer interesse particular,  ou de grupo, dos funcionários.

- Defende-se um liderança estratégica cujos princípios são:

a)- Identificação clara dos objectivos/metas a atingir, deixando espaço para percursos diversificados para as escolas;

b)- Envolver todo o pessoal docente e não docente no processo de tomada de decisão;

c)- Envolver a comunidade educativa na dinâmica do agrupamento;

d)- Dotar as escolas de um conjunto de recursos materiais que lhes permita adoptar dinâmicas inovadoras para a consecução dos objectivos em vista;

e)- Rentabilizar e partilhar os recursos existentes em todo o Agrupamento;

 

 

5.      PROJECTO DE INTERVENÇÃO

5.1.           Objectivos Gerais

O presente Projecto Educativo procura, em consonância com os princípios orientadores previamente definidos, atingir os objectivos gerais seguintes:

- Adequar a prática educativa às necessidades dos diferentes alunos, no que respeita ao seu maior envolvimento no processo de ensino/ aprendizagem, à construção da sua autonomia e responsabilização;

- Adequar/ flexibilizar o currículo de forma a instituir na sala de aula práticas pedagógicas contextualizadas e significativas para os alunos;

- Promover o Ensino Experimental na sala de aula;

- Promover o desenvolvimento de competências de raciocínio lógico- matemático, de investigação, de formação de conceitos;

- Fomentar nos alunos o gosto pela leitura e pela escrita;

- Contribuir para a formação pessoal e social do aluno, facultando-lhe, em contexto,  a aprendizagem das regras e valores  democráticos.

- Promover o desenvolvimento dos alunos no que respeita ao espírito de iniciativa, organização, autonomia, pensamento crítico;

- Envolver as famílias na vida da Escola, nomeadamente no que respeita aos processos de ensino/ aprendizagem e ao nível dos processos globais de decisão;

- Fomentar laços de cooperação e de trabalho em equipa entre os docentes, instituindo espaços de troca de experiências e de saberes;

- Centrar a formação no Agrupamento, procurando dar resposta às necessidades dos docentes, e numa perspectiva de resolução de problemas identificados na prática;

- Estabelecer elos de ligação com as Autarquias, estabelecendo protocolos e parcerias no sentido de instituir intervenções consertadas;

 

5.2.           Propostas de Intervenção

 

Face à problemática identificada, e após ampla discussão que envolveu todos os docentes, foi decidido privilegiar as acções que a seguir enumeraremos, as quais serão devidamente operacionalizadas e calendarizados os seus “timings” no Plano de Actividades do Agrupamento.

 

No que respeita ao domínio das Aprendizagens/ Competências dos alunos, as propostas de resolução são as seguintes:

 

- Continuar a promover e incentivar nos alunos o gosto pela leitura;

 

- Dinamizar as Bibliotecas escolares;

 

- Dinamizar o Jornal Escolar envolvendo mais os alunos;

 

- Envolver os pais em processos de dinamização da leitura

 

- Privilegiar as aprendizagens funcionais, significativas e contextualizadas;

 

- Promover a autonomia dos alunos;

 

- Promover a utilização das Tecnologias Informação e Comunicação;

 

- Dinamizar a correspondência inter- escolas;

 

- Direccionar  o ensino da matemática para a resolução de problemas numéricos e não numéricos;

 

- Desenvolver nos alunos o raciocínio lógico permitindo-lhes a discussão e explicitação de estratégias de resolução de problemas;

 

- Estabelecer maior ligação entre a Matemática e outras áreas do currículo;

- Dinamizar as Assembleias de turma no sentido de definir regras de funcionamento na sala de aula e no espaço escolar, em conjunto com os alunos; analisar e discutir com os alunos os seus direitos e deveres; estabelecer contractos com os alunos e, por último, articular regras e procedimentos entre o pessoal docente e não docente, no sentido de promover uma actuação consertada e consistente.

 

No que se refere ao domínio da Prática Pedagógica  são as seguintes as acções delineadas:

 

- Promover a Formação participada e centrada no Agrupamento;

 

- Promover Acções de Formação (oficinas ou cursos) sobre temáticas a definir previamente com os docentes;

 

- Promover reuniões de trabalho entre docentes, nos Conselhos de Docentes e de Núcleo, para partilha de experiências e troca de materiais;

 

- Observação de práticas pedagógicas inovadoras;

 

- Promover a articulação entre docentes do 1ºCiclo e Pré- escolar no sentido de um maior conhecimento dos currículos;

 

- Articulação entre docentes do 1ºe 2º ciclos para proceder à articulação vertical dos currículos.

 

 

No que se refere às questões de ordem organizacional do agrupamento foram as seguintes as propostas de intervenção, acção:

 

- Centrar as Acções de Formação no Agrupamento em face das necessidades reais dos docentes;

 

- Institucionalizar espaços e tempos de trabalho cooperativo entre os docentes, para troca de experiências e produção de materiais;

 

- Dinamizar/ rentabilizar os materiais existentes no Centro de Recursos;

 

- Criar pequenos Centros de Recursos nas escolas e ou Jardins de Infância;

 

- Inventariar materiais existentes no centro de recursos  e divulgá-los pelos diferentes estabelecimentos de ensino do agrupamento;

 

- Estabelecer protocolos com Instituições Locais, Câmara, Centro de Saúde, Bombeiros, etc;

 

- Promover reuniões com as Autarquias Locais (Câmara e Juntas de Freguesia);

 

- Sensibilizar as entidades competentes para a importância do embelezamento dos espaços exteriores das Escolas e Jardins;

 

- Promover reuniões periódicas com a EB 2/3 e formalizar formas de contacto e de articulação para: participação dos professores do 1º ciclo na constituição de turmas o 2º ciclo, troca de informações sobre os alunos em geral, e os alunos com N.E.E. em particular, gestão dos espaços conjuntos, articulação vertical dos currículos;

 

- Promover a formação das auxiliares de acção educativa nomeadamente no que diz respeito ao seu papel na Escola, as suas competências, relação pedagógica, indisciplina e animação dos recreios.

 

No que diz respeito à participação dos pais na vida da Escola decidiu-se:

 

- Realizar acções de sensibilização aos pais, ao nível de cada Núcleo ou Escola, sobre o seu papel na Escola e na Educação dos filhos;

- Dar conhecimento aos pais dos Planos de Actividades e dos Projectos Curriculares de Turma;

 

- Sensibilizar as famílias para a importância dos hábitos de leitura dos filhos;

 

- Incentivar e apoiar a criação da Associação de Pais;

 

 - Promover actividades que envolvam as famílias na vida da Escola : festas, reuniões, testemunhos profissionais de vida.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6.       REFLEXÕES CONCLUSIVAS

 

Não há efectivamente ventos favoráveis para quem não sabe que rumo seguir, mas há muitas vezes percalços e constrangimentos face ao rumo que traçamos.

Neste sentido este Projecto Educativo, que nos conduzirá durante mais dois anos, será um Projecto flexível, norteando a nossa intervenção é certo, mas dando-nos, em simultâneo, algum espaço de manobra para adaptar a nossa intervenção à realidade que nos cerca. Muitas vezes, sabemo-lo também, o caminho mais curto entre dois pontos não é a linha recta, e quantas vezes para chegar ao destino precisamos de voltar atrás e seguir um atalho.

Dissemos anteriormente que o processo de elaboração deste documento foi um processo riquíssimo pelas trocas e debates que propiciou, não exageraremos se dissermos que a própria construção do documento se constituiu por si só como um processo de mudança. Acreditamos que o levar a bom porto as intenções que ora delineámos, será concerteza um processo de mudança irreversível, apesar de todos os desentendimentos e constrangimentos que o caminho nos reservar.